CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Ediel Ribeiro avatar

Ediel Ribeiro

Jornalista, cartunista e escritor

171 artigos

blog

Elifas Andreato, nosso Michelangelo

Elifas Andreato, o designer ergráfico referência do meu tempo

Elifas Andreato (Foto: Arquivo pessoal)
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO

✅ Receba as notícias do Brasilcity sporting e da TVcity sporting no canal do Brasilcity sporting e na comunidadecity sporting no WhatsApp.

city sporting de :Temos os melhores relatórios de previsão, você está convidado a participar

Além disso, a FIFA 22 também apresenta uma nova geração city sporting jogadores, com movimentos e habilidades aprimoradas, além city sporting um 💰 sistema city sporting inteligência artificial (IA) melhorado que permite que os jogadores tomem decisões mais realistas durante as partidas.

Outra novidade é 💰 a inclusão do modo "Voltal", que permite aos jogadores recriar e controlar a história city sporting um time ou jogador que 💰 esteja passando por um momento desafiador na carreira. Com isso, é possível reviver momentos históricos do futebol ou simular cenários 💰 alternativos para os times e jogadores favoritos dos fãs.

ara evitar danos a longo prazo. PUMA nunca recomenda lavar dos Tênis na máquina de

em ( independentemente do material city sporting 🤶 {k0} que são feitos), pois A cola mas outras

site de aposta apartir de 1 real

ed "SEVEN" (symbol. In A derow to rewin The correesponding prize for that e Crow).

Rio - Para o presidente Jair Bolsonaro não houve um golpe militar no país no dia 31city sportingmarçocity sporting1964. 

Para o capitão, a ditadura militar brasileira — que chegou a fechar o Congresso Nacional, cassar parlamentares e restringir liberdades civis, inclusive com a morte e torturacity sportingopositores e vigoroucity sporting1964 a 1985 - nunca existiu.

Elifas Andreato, o design ergráfico que era referência do meu tempo - e uma figura espetacular que tive o prazercity sportingconhecer, mas não a honracity sportingtrabalhar com ele -, não foi só um excelente designer gráfico. Foi jornalista, pintor, ilustrador e, claro, ativista político.

Entre os trabalhos genuinamente engajados, Elifas produziu peçascity sportinggrande qualidade artística, com projeção internacional e reconhecimento no mundo inteiro, como o painel sobre o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, nos porões da ditadura, comandado pelo execrável torturador Brilhante Ustra, ídolo do capitão. Elifas se inspirou na Pietá,city sportingMichelangelo, ecity sportingGuernica, do Picasso, para criarcity sportingobra mais icônica que exprime toda a nossa dor.

Na décadacity sporting60, foi estagiáriocity sportingagênciascity sportingpublicidade e na Editora Abril, onde começou a conviver com jornalistas que se tornaram seus grandes mestres. Mesmo sem instrução formalcity sportinguma escolacity sportingartes oucity sportinguma faculdade, tornou-se referência no meio intelectual e artístico do país e professorcity sportingArtes na USP. 

Sua convivência no meio intelectual, no fim da décadacity sporting1960 e início dacity sporting1970, levou-o à militância política e, consequentemente, à perseguição por parte dos militares. Fez estágio nas revistas ‘Quatro Rodas’, ‘Realidade’, ‘Cláudia’ e ‘Veja’. Mas foi a partircity sporting1968, quando os militares decretaram o AI-5, que entroucity sportingcabeça na militância política.

Logo depois, Aldo Arantes, um dos companheiros da clandestinidade “caiu” (expressão que se dava para quem era preso pelos militares) e acabou confessando, sob tortura, quem eram os autores do livro. 

Então, Elifas, Azevedo e Raimundo Pereira - outro jornalista - passaram a ser perseguidos pelo regime. Em 16city sportingdezembrocity sporting1976, por pouco, Elifas não foi morto, quando a casa onde estavam reunidos os dirigentes do PCdoB, na Rua Pio XI, no bairro da Lapa,city sportingSão Paulo, foi cercada por agentes do DOI-Codi, que assassinaram Ângelo Arroyo, Pedro Pomar e João Baptista Franco Drummond. 

“Naquela ocasião, acabei não indo à reunião por causacity sportingum problema que tive na Abril e escapei”, disse.

Em 1972, o artista deixou a ‘Editora Abril’, fundou o jornal ‘Opinião’ e passou a colaborar com jornaiscity sportingoposição ao regime como ‘Movimento’ e a revista ‘Argumento’, no Riocity sportingJaneiro, onde passou a conviver com a censura diretamente dentro das redações. 

“Nós tínhamos, no início, algumas formascity sportingburlar a censura, como fazia ‘O Estadocity sportingS. Paulo’, publicando receitascity sportingbolo no lugar das matérias censuradas. O ‘Opinião’, assim como ‘O Pasquim', era um jornalcity sportingoposição. Às vezes, nem dormíamos, pois éramos obrigados a fazer duas ou três capascity sportinguma mesma publicação. 

Quando não censuravam uma ilustração, censuravam parte ou mesmo textos inteiros, então tínhamoscity sportingcriar anúncios no lugar deles, por exemplo. Mas várias vezes conseguimos ludibriar a censura.

Naquela época, a gráfica que utilizávamos era a do ‘Jornal do Brasil’, que ficava na Lapa, bairro boêmio do Rio. As prostitutas e os travestis acabaram tornando-se nossos protetores. Toda vez que a polícia chegava, eles davam um jeitocity sportingnos avisar do perigo.

Quando o jornal saía, um censor verificava se aquilo que tinha sido aprovado era o que havia sido impresso.

Quando D. Paulo Evaristo Arns resolveu rezar uma missacity sportinghomenagem ao estudante Alexandre Vanucchi, morto pela repressão militar, decidimos produzir uma reportagem sobre isso. 

Eu desenhei D. Paulo a traço na redação e, na gráfica, apliquei a cor vermelha que aparece na roupa do cardeal. Quando o censor viu aquilo impresso, a primeira coisa que ele fez foi me dar um tapa na cara! Ele se sentiu ludibriado com aquilo, pois tinha aprovado um desenho preto e branco. 

Então, ele me pegou pelos fundilhos e, juntamente com Raimundo Pereira e Tarikcity sportingSouza, jogou-me num camburão. Ficamos presos umas três horas. Era humilhante o que eles faziam. Alémcity sportingbaterem, o interrogatório era extremamente violento e repletocity sportinginsultos.

A partir desse momento, a censura sobre nós ficou muito mais acirrada. Certa vez, Tarikcity sportingSouza produziu uma matéria falandocity sportinguma gravação da música ‘Atrás da Porta’,city sportingFrancis Hime e Chico Buarque, feita pela Elis Regina. A censura cortou o nomecity sportingChico Buarque, pois o dele era proibido. Então, foi publicado ‘Atrás da Porta’,city sportingFrancis Hime.

Em 1968, um grupocity sportingextrema direita chamado Comandocity sportingCaça aos Comunistas invadiu um teatro onde a peça ‘Roda Viva’,city sportingChico Buarque, era encenada, destruiu o cenário e espancou os atores.

Passei a fazer cartazescity sportingteatro. Como quase sempre os espetáculos eram censurados, os cartazes passavam pelo mesmo crivo. Quando o diretor Fernando Peixoto montou a peça ‘Mortos sem Sepultura’, do Jean-Paul Sartre, que se passa durante a Segunda Guerra, fiz um cartaz com um sujeito num pau-de-arara e, para disfarçar, botei um soldado alemão na frente. A censura viu aquilo, foi ao teatro e apreendeu os cartazes.

Quando me perguntaram o porquê do pau-de-arara no cartaz, aleguei que se tratavacity sportinguma peçacity sportingum autor francês, que se passava na França durante a Segunda Guerra. E o censor respondeu: “vamos recolher, porque pau-de-arara é uma invenção brasileira”.

Quando Vladimir Herzog foi assassinado, todas as pessoas envolvidas na militância e os simpatizantes ficaram apavorados. Herzog era um jornalista que trabalhava no ‘Jornal da Cultura’, tinha endereço e era conhecido. 

Foi o período mais marcante para todo esse grupo ao qual eu pertencia. Nós também começamos a ser perseguidos, mas felizmente a repercussão do assassinato dele, já no governo Geisel, provocou a demissão do comandante do Segundo Exército, e as coisas aos poucos foram amenizando-se. 

Naquele momento, quando fundei o Jornal ‘Opinião’, descobri que a ditadura montou um país que começava a ser retratado pela Rede Globo como o país ideal, o país do milagre. Então, a realidade que a fotografia não oficial registrava era muito inconveniente, havendo grande censura nessa área. 

Percebemos nisso a chance para resgatar os ilustradores, caricaturistas e chargistas. Loredano, Castor, Chico Caruso, Angeli, Laerte, todos começaram ali. Era a oportunidade de, com esperteza, fazer ressurgir a ilustração na imprensa brasileira”, disse.

Elifas Vicente Andreato foi especialmente reconhecido como ilustradorcity sportinginúmeras capascity sportingdiscoscity sportingvinil nos anos 70, incluindo grandes nomes da Música Popular Brasileira, como Chico Buarquecity sportingHolanda, Elis Regina, Adoniran Barbosa, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Toquinho e Viníciuscity sportingMoraes, entre outros.

Elifas Andreato foi para as capas dos discos, o mesmo que José Luiz Benício foi para os cartazescity sportingcinema. Nasceucity sportingRolândia, no Paraná, no dia 22city sportingjaneirocity sporting1946 e morreucity sportingSão Paulo, no dia 29city sportingmarçocity sporting2022. 

iBest:city sporting é o melhor canalcity sportingpolítica do Brasil no voto popular

Assine ocity sporting, apoie por Pix, inscreva-se na TVcity sporting, no canal Cortescity sporting e assista:

CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO